Traços e entravos do cotidiano
Vida sofrida, imposta doutrina
Escolha ilibada no compasso da dor
A comida enlatada que tive clamor
Desatina e me rende ao vasio poço
Não me esqueço, estabeleço os sentidos
Ainda sonho com o cordel já lido
Desmedida linha do imaginável
O conforto de mãe me sobrepõe
Aparado pela mão que acaricia
Nuvens em brancas plumas sorriem
Instante da vida que eternizo
Vão-se as evidências do bem querer
Escrito na areia do deserto mar
Funde-se a emoção e a razão
Que produz a sensação do equilíbrio
Algozes gametas da solidão
Que permeiam qualquer ilusão
Sentimentos profundos, pelo sim e não
Nos leva a rotina da servidão
Luzes que acendem a mutação
Narra a alma gêmea do teu ser
Tênue firmamento do existir
Que inicia a cada novo dia.
Paulo Roberto Emidio
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