PLACAR DE JOGOS

sexta-feira, 29 de abril de 2011

POESIA CIDADE

Meu canto na poesia é nada
Minha poesia no canto é tudo
É suor, cor, amor e paixão
É o que você quiser que seja
Cantaria o canto a poesia em prosa
A poesia cantada virou encanto
Prantos surgia em todo canto
Berra o sufoco do louco canto
A camisa de força dos versos
Não faço da poesia um pânico
Nem tão pouco o estupro do vulnerável
Mas se extrai do útero da mãe estuprada
Do doente remediado
Do cântico lírico entre o fígado e a cirrose
A trilogia da vida na dimensão do terrível
Consumado ato do cabeça-de-bagre
Hospício criado na imaginação
A palavra virtuada distorcida fração
Pervertida maconha da inanição
Menino que chora, lamúrias sem dó
Quiseram hino da minha poesia
Os espertos da esquina conspiravam
Dia e noite a luz do esquecimento
Minha poesia se fez pátria
Do encarcerado ao veado moribundo
No canto das raias coloridas
O beijo da morte o pegou
O silêncio da aglomeração ressurgiu
O dedo em riste imperou o descaso
Sem crédito a cicatriz da mordaça
Estrangulada caricia, palavras rasgadas
É a lei do maníaco, vista do arpoador
Conjecturas, o ventre livre da preservação
Os sinos da cidade, a mulher na contra-mão
Um tiro no escuro no altar da salvação.

Paulo Roberto Emidio

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